terça-feira, 20 de julho de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Betinho, o gato de guarda
Desenho de EugenioDisseram-me uma vez que gato siamês e ganso são ótimos cães de guarda. O meu gato com certeza não é.
Depois de muita insistência, uma amiga de minha mãe resolveu passar uns dias em Curitiba. Minha mãe arrumou um quarto para a nova hóspede e deixou a chave do apartamento com o porteiro do prédio porque nós duas tínhamos aula de manhã, eu como aluna, minha mãe como professora.
A amiga chegou, abriu a porta, encontrou o gato e supôs ser ele o Betinho, já que não havia nenhum outro felino no recinto. Disse, "olá, Betinho, tudo bem"? e ele nem para responder, porque afinal de contas, ele é curitibano e as pessoas daqui não falam com estranhos, mas dormem. Isso mesmo, dormem.
Como viajou durante a madrugada, a visitante estava cansada e resolveu dormir um pouco. Deixou a porta do quarto aberta e lá se foi o gato se enfiar debaixo das cobertas junto com ela. O que rolou? Horas e horas de sono.
Então é assim, se entra um ladrão e resolve tirar um cochilo, Betinho ao invés de dar arranhões, se aconchega junto ao bandido e dorme. Ótimo vigia, hein?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Um anjo

Imagine uma adolescente de 13 anos em uma turma de 45 alunos. Já meio encurvada por causa da timidez, no início do ano passava o recreio sozinha por se sentir deslocada. Pelo motivo de não ter amigos no colégio, queria sair de lá, mas, duas colegas se aproximaram e fizeram amizade.
Pense que, após o término do ano letivo, depois de passar pela experiência de ficar em recuperação em Matemática, com medo da reprovação, ganhou o melhor presente de sua vida, uma compensação, pensou ela, por tudo o que passou naquele período de 7ª série: um gato siamês. Um companheiro, alguém que sem precisar pedir permissão entrava em seu quarto e se acomodava em seu colo ou se sentava ao seu lado. Silencioso, como se compreendesse aquela fase tumultuada de uma não mais criança e ainda não mulher, tornou-se uma agradável companhia.
Já nos anos seguintes, fez a menina se divertir muito. Durante as lições de Desenho Geométrico, quando parava de desenhar para ajeitar a régua, ele dava tapinhas no lápis para prosseguir, como quem diz, “termine logo isso e vamos brincar”. Ou quando a Matemática se tornou novamente a vilã, na hora da tarefa, com a apostila aberta, simplesmente esparramava seu corpo sobre a matéria a ser estudada, evitando que sua dona estudasse. Também em seus frenesis diários, se pendurava na cortina de renda e subia até o teto, igual a um macaco.
Gostava de brincar com objetos simples. Uma bolinha de papel era brinquedo barato, mas muito divertido. Ficava horas entretido e algumas vezes, miava pedindo para alguém brincar juntamente.
O gato sentia cada vez que sua dona estava chateada. Com seus grandes olhos azuis, expressivos, olhava-a, parecia ter um enorme ponto de interrogação sobre a cabeça, assim como nas histórias em quadrinhos, sem compreender o que era aquilo, mas sabendo que deveria se aproximar para tirar aquela dor. Ele sempre fazia isso quando sua amiga entristecia.
Ou então, naqueles dias chatos de cólica, prontamente sentava em seu colo e só saía quando a dor aliviava. Parecia saber o momento certo. Depois, dormia como a se recuperar do esforço e retomar sua energia. Às vezes alguns medos infantis ressurgiam, dormir sozinha era difícil, mas lá estava seu amigo para adormecer junto e garantir bons sonhos.
Ela sempre falava dele para os novos amigos e por conta disso, mandavam abraços, beijos, afagos, agrados e lembranças ao gato. Conheceu outras pessoas que também adoram gatos e fez com que alguns que não gostavam dos pequenos felinos, os vissem com outros olhos e passassem também a admirá-los.
Reflita agora que esse gato viveu 17 anos e por todo esse tempo foi um grande companheiro. Imagine o sofrimento de perder o melhor amigo. Mesmo que você não goste de animais, que nunca tenha convivido com um diariamente ou ache um exagero por ser somente um animal, enquanto muitos humanos sofrem, entenda, é melhor amar demais do que maltratar qualquer ser.
Agora, a mulher tem quase 31 anos, com a maior parte da vida acompanhada pelo Betinho. Uma pessoa já adulta, mas que sente um grande vazio porque não tem mais seu companheiro que tirava a dor. Com muito mais amigos, mais segura e confiante, porém sem o amigo que mandava a tristeza para bem longe. Não entende as pessoas que dizem, “ah, mas já estava velhinho”, como se tivesse que se conformar, pois quanto mais tempo passamos com alguém que amamos, mais queremos tê-lo por perto.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
O cão e o fazedor de desenhos

Desenho de Eugenio
Os desenhos desse blog, a partir do post debaixo, serão feitos por Eugenio, meu companheiro que estará de aniversário no final deste mês, regido por Libra e grande defensor dos animais . Talvez por sentirem isso, os bichos gostem dele. Se chegar a uma casa onde haja, por exemplo, um bichano arisco, tímido na presença de pessoas diferentes, é no colo de Eugenio que ele se aconchegará, como se fosse alguém da família.
O mesmo se sucede com crianças. Pode ser o bebê mais sério do mundo, olhou para Eugenio e virou sorriso. As crianças e os animais possuem um sentido aguçado para descobrirem quem são os anjos ou as pessoas bondosas, de coração puro. Ainda não sei em qual dos dois perfis Eugenio se encaixa, mas os pequeninos e os peludos sabem.
Sabendo ser um anjo, talvez, e ter avistado a ponta de uma asa, como certa vez Erico Verissimo falou sobre Mario Quintana, um cão na coleira, juntamente com seu dono, olhou para Eugenio. Ao perceber algo de diferente, continuou encarando. O homem, com a intenção de atravessar a rua, puxava de leve a coleira, mas o cachorro olhava para o lado oposto. O dono, intrigado, olhou para nós, na hora em que atravessávamos a rua e chegávamos mais perto.
Imediatamente, lembrei-me do conto de Clarice Lispector, Tentação, pois o cão também era um basset ruivo. Eugenio não é ruivo, não se tratava como no conto de irmãos. O basset então começou a latir, querendo talvez entregar o segredo de Eugenio, mas seu dono dava leves tapas em seu traseiro, na verdade, tratava-se de uma fêmea.
Eugenio afagou a cabeça da cadela e cada um seguiu seu caminho. Cheguei à conclusão de que o basset percebeu de longe que Eugenio é também amigo dos gatos e a cachorra tentou fazê-lo tomar partido dos canídeos. Mas, libriano indeciso sempre diz, "gosto de cães e gatos igualmente".
Se você tem preguiça de ler, escute no Youtube.
Se você gosta de ler, clique no link e leia a história de Clarice Lispector.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Gatos educativos

Desenho de Eugenio
Meu celular é cheio de vídeos e fotos de sobrinhas e gatos. Sabendo disso, minha primeira sobrinha, Lorena, no auge de seu um ano e cinco meses, me estendeu o celular e falou: "nenê". Sim, ela queria ver fotos dela mesma. Ainda não sabia, porém, que ali havia também vídeos de gatos.
Quando vai na casa de minha mãe, onde mora o Gato Beto, Lorena tenta imitá-lo. Por ter um miado muito alto e grosso, Lorena não faz "miau" e sim "aum" e com uma cara sofrida. Deve imaginar que aquele som só pode vir de alguém padecendo.
O celular tem como papel de parede a foto de Betinho. Lorena abriu o flip, riu, colocou o dedinho em cima da foto e disse, "aum". Então, resolvi mostrar a ela o vídeo de quando o Betinho foi visitar o Neko e a Bibiana. No vídeo, apareciam somente Beto e Neko. Falei para ela, "Lorena, são dois gatos, dois gatos" e fazia "dois" com os dedos. Não sabendo fazer dois, esticou somente o indicador e dizia, "dois"!
No mesmo dia, pegou um encarte de publicidade onde havia dois bebês, apontou e disse: "dois". Na semana seguinte, novamente, agora com duas embalagens iguais com fotos de bebês, ela disse com o dedo erguido: "doi, nenê". E repetia com os olhos arregalados, parecia uma professorinha ensinando os alunos e repetindo até aprenderem, mas já sem colocar a letra s no final: "doi, doi nenê". Depois dizem que os gatos são inúteis...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Nós e os gatos

Somos quatro, dois humanos e dois gatos. Neko (gato em Japonês) foi o primeiro dos animais, chegou filhote, vindo da rua. A história resumida é a seguinte, Eugenio, um dos humanos, ouviu miados de madrugada no prédio. Desceu e viu o vigia noturno com um gato pequeno e orelhudo no colo. Disse: "vou colocar num saco e jogar no rio". Eugenio, por achar tal atitude estúpida e ignorante, tomou o bichano no colo, levou-o para casa, apresentou o lugar e perguntou para o gato se queria morar ali. Como não miou nem nada, concluiu-se, quem cala consente. Eu ainda não fazia parte do grupo dos quatro, que na época eram apenas dois, um homem e um gato.
Por isso, quando ia visitá-los, o gato, enciumado, me chamava de moça ao invés de mãe e muitas vezes me ignorava, indiferença que os gatos interpretam com perfeição. Quando o gato percebeu que a última visita havia transmutado em "morar aqui definitivamente", passou a me dar tapas na cabeça quando passava desprevenida em frente à geladeira onde montou sentinela com o intuito de se divertir dando patadas nas cabeças dos outros dois moradores, eu e Eugenio.
Em um começo de tarde de verão, um gato pequeno, branco e magro foi avistado por Eugenio e Neko quando passeavam. Decidimos adotar o gato, que na verdade era gata, sem consultar o terceiro integrante da casa. Por isso, Neko agiu furiosamente com arranhões e até mesmo rosnadas para a gata Bibiana. Disseram que se entenderiam logo e sete meses depois, ainda se estapeiam, quer dizer, o macho bate nela, situação essa que leva os dois humanos a intercederem pela mais fraca.
Por ser fêmea é menor. Neko às vezes sem motivo aparente sai de seu lugar só para dar patadas em Bibiana. Agora que somos em quatro, raramente nós humanos recebemos tapas na cabeça, pois seu alvo é Bibi. Neko tem também o costume de chegar perto dela quando está tentando tirar um cochilo e cheirá-la como um aviso de paz. Ela retribui o gesto também cheirando seu rosto quando inesperadamente a pata do gato acerta em cheio a fuça da gata.
Hoje vi algo inusitado. Neko começou a tossir, algo até comum aos gatos. Ficou com a cabeça baixa e como a tosse não cessava, Bibiana correu em direção ao "irmão" e começou a cheirar seu rosto, numa espécie de beijo. Não entendia o que estava acontecendo, Neko não a expulsou de seu canto, ficou ali parado, engolindo com certa dificuldade e Bibi ao seu lado, beijando-o, mesmo eles sendo na maioria do tempo inimigos. Depois que Neko melhorou e voltou a surrar a pobre gatinha percebi então o que havia acontecido, ela se preocupou com ele porque são iguais. Era uma comunicação entre felinos, inútil eu tentar decifrar. O que significava aquilo eu nunca vou saber. Ninguém mandou que eu me intrometesse na natureza. Se quiserem brigar, que briguem.
domingo, 2 de agosto de 2009
A simples razão
Foto de EugenioConvivo com gatos há quase 17 anos e esse foi o motivo pelo qual criei esse novo blog, para contar como esses bichanos são adoráveis e companheiros. Histórias nessas quase duas décadas não faltam.
A primeira gata que tive, não foi verdadeiramente minha, afinal, "nós gatos já nascemos pobres, porém, já nascemos livres". Ela caçava ratos pelo prédio onde morávamos. Como minha família era a que mais alimentava a gatinha, passou a ser "nossa". Sabia exatamente qual era nosso apartamento, às vezes arranhava a porta para poder entrar.
Mudamo-nos e a gata ficou no prédio. Não sei que fim a levou e no Natal de 1992, ganhei o Betinho, gato siamês que vive até hoje, mas agora com minha mãe. Divido minha vida assim, antes de Betinho e depois de Betinho. Antes dele, eu era uma criança que brincava com ursinhos de pelúcia. Quando chegou em nossa casa, ele virou meu brinquedo. Quer dizer, eu virei o dele porque tinha que ficar fazendo bolinhas de papel para ele brincar. Minhas roupas passaram a ficar cobertas de pelos.
O gato não faz a festa toda que o cachorro faz quando fica dez minutos longe do dono. Não sei o que acontece com os cães, eles sofrem de uma carência muito grande, um temor enorme de ser abandonado. Gosto também desses bichos e ultimamente o Betinho tem sofrido dessa síndrome canídea, fica pedindo carinho o tempo todo. Acho que é a idade.
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